domingo, 6 de setembro de 2015




CURSO GESTÃO ESCOLAR - UNISUL

GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DOS RECURSOS PATRIMONIAIS DA ESCOLA

Estou fazendo o Curso de Gestão Escolar com bolsa do programa UNIEDU/SC.
 Escrevei o texto abaixo para a disciplina de Recursos Patrimoniais na Escola

Estou na área da educação a mais de vinte e cinco anos, passei pela escola pública municipal e estadual e escolas privadas.  Fui coordenadora pedagógica nas três esferas. Atualmente atuo na escola estadual como assistente técnico pedagógico. Neste meu percurso profissional, me deparei com vários tipos de escolas, professores, alunos, pais e gestores. Percebi que onde tem organização, capacitação permanente dos educadores, participação da família e compromisso dos políticos e gestores, a escola é cuidada por todos, tem educação de qualidade e tem gestão democrática.
Infelizmente em muitas escolas públicas temos depredação, descuido, escolas deterioradas, com falta de reformas e de projetos de Educação Preventiva como: educação patrimonial, educação fiscal e educação ambiental.
Revendo a história da educação no Brasil, podemos perceber que muitas coisas foram feitas de forma lenta e errônea e tudo fizeram para que a educação não melhorasse, pois era mais interessante um povo sem cultura escolar, para manipular e garantir poder político e financeiro de uma minoria, que detinha o além do poder, o conhecimento. 
Temos ainda as relações de poder na escola, a falta da tal democracia, a questão de gênero e da violência, tão presentes nas escolas. Com certeza, os sujeitos que praticam violências, foram alunos que não tiveram oportunidades de educação.
Todo gestor escolar deve ter o compromisso de melhorar o ambiente escolar em todos os sentidos, desde o acesso à educação sem distinção até o sucesso escolar dos alunos. 
No projeto político pedagógico escolar, que deve ser feito no coletivo, deve compreender ações e projetos educativos para a conservação do patrimônio escolar. A escola precisa ser bonita, conforme Paulo Freire que fala da “boniteza”; Todos gostam de ficar num ambiente limpo, arrumado e atraente.  Os alunos devem ser chamados a cuidar do seu patrimônio, que um dia será de seus filhos também.

Parafraseando Cortela: “Todo mundo pensando em deixar um planeta melhor para nossos filhos. Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o planeta?”



sexta-feira, 24 de abril de 2015

A greve como parte do currículo


O orientador de Estudos professor Alex Borges Alano e seus professores cursistas, do curso PNEM/SC, escreveram o texto abaixo, sobre a greve dos professores de SC e uma relação com o caderno do curso.
 
                                                       A greve como parte do currículo

O caderno de Linguagens, da II etapa do PNEM, nos propõe uma reflexão sobre o currículo, a metáfora da árvore e o fazer pedagógico e sua relação com a formação humana integral dos estudantes (p. 41).
A formação humana para ser integral precisa ultrapassar os muros da escola. Sabemos que o professor ensina mais que a matéria que leciona, pois somos professores mesmo fora das salas de aula. Nossa postura perante às questões sociais, em nossas relações humanas, expressam nossos valores fundamentais e demonstram na prática nossa coerência ou hipocrisia.
Buscamos nos estudos do PNEM melhor preparo para propiciar aos nossos estudantes uma educação que lhes permita o desenvolvimento das faculdades necessárias ao pleno exercício da cidadania. Ser cidadão pleno é ter autonomia intelectual, capacidade de buscar e desenvolver conhecimentos de forma crítica e consciência dos direitos e deveres. Além de condições de aplicar esses conhecimentos na conquista, manutenção e ampliação dos direitos e contribuir na construção de uma sociedade dentro dos parâmetros desejados coletivamente.
Para isso, além do conteúdo disciplinar, importam também os métodos, os objetivos e os valores presentes na base do processo, partes integrantes do currículo escolar, como nos lembra a referida metáfora da árvore.

“As reflexões que contemplem a árvore no seu todo podem ser relacionadas à ideia de currículo como processo político, permeado por questões ideológicas e, assim, de poder, conforme nos lembra Silva (1999). O olhar para as folhas, nessa perspectiva, não ocorre de forma isolada do todo, mas sim a partir da ideia da atividade pedagógica como atividade complexa. Pensar em conteúdos e técnicas demandará, nesse sentido, a reflexão sobre o que fazemos, aliada à problematização acerca do modo como fazemos e do por que fazemos da forma como fazemos. Não menos importante é a reflexão sobre os impactos que nossas escolhas e ações podem vir a ter na vida dos estudantes e da sociedade como um todo”. (Etapa II – Caderno IV: Linguagens, p. 40 – grifo nosso).
Queremos uma educação pública, laica, gratuita e de qualidade. Para garantir isso, precisa haver investimentos massivos na estrutura material e na formação e remuneração adequada dos trabalhadores e trabalhadoras em educação. Contudo, o atual governo ameaça reduzir o investimento na educação e retirar direitos do magistério. Ação que resultará em precarização do trabalho e, consequentemente, diminuição da qualidade dos serviços prestados. É notório que professores adoecidos pelo excesso de atividades e mal remunerados não terão condições de zelar pela qualidade do ensino.
Não se trata, portanto, somente dos direitos dos professores e professoras, mas do direito de todos nós, cidadãos e cidadãs. Aqui cabe o destaque na citação acima, pois fazer ou não a greve tem uma consequência direta na vida dos estudantes e da sociedade como um todo. Traçando um paralelo entre professor grevista e não grevista, podemos dizer o seguinte: o primeiro ensina que quem não luta por seus direitos, não é digno deles; o segundo, ensina a submissão à ditadura; um, sacrifica o próprio presente (salário, cansaço, aula...) para salvar o futuro coletivo (carreira, condições de trabalho, qualidade da educação...); outro, prefere salvar o que é seu, sacrificando o futuro de todos; o grevista honra o compromisso com as gerações anteriores, que lutaram pelos atuais direitos; o não-grevista põe no lixo décadas de lutas; o primeiro mostra que devemos ocupar o espaço que conquistamos; o segundo insinua que devemos aceitar o espaço que nos é imposto; enfim, o professor grevista se torna exemplo de que podemos ajudar a escrever a história do jeito que queremos; o professor não-grevista se faz marionete dos que estão no poder e conduz os estudantes a viver uma história que outros escreveram.
Por essas razões, afirmamos que a greve faz parte do currículo, seja pelas motivações que conduzem ou não o professor à ela, seja pelos efeitos que sua realização ou não provoca na vida dos estudantes e da sociedade. Não apesar de, mas por causa de todas as contradições surgidas ao longo e ao largo do movimento grevista, este se torna espaço e momento privilegiados de formação cidadã. As assembleias, as passeatas, os debates nas redes sociais, os confrontos políticos enfim, evidenciam grupos e interesses opostos nas disputas pelo poder, apontam líderes positivos e negativos e transparecem as coerências e ou contradições entre seus discursos e práticas.
Por outro lado, as propostas dos governos e suas reações às manifestações grevistas demonstram seu posicionamento perante às lutas de classes e sua afinidade ou não com a democracia que tanto almejamos.
Pressupondo a prática como critério da verdade, isso tudo possibilita aos estudantes enxergarem como se dão as disputas pelo poder, que mantêm ou transformam a sociedade na direção dos grupos vitoriosos. Permite-lhes avaliar cada agente social, individual e coletivamente, e tomar uma posição consciente nessa disputa, saindo da posição de meros espectadores.
Assim, podemos concluir que professor lutando também está ensinando.

Referência:
Brasil. Secretaria de Educação Básica. Formação de professores do ensino médio, Etapa II - Caderno IV: Linguagens / Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica; [autores: Adair Bonini... et al.]. – Curitiba: UFPR/Setor de Educação, 2014. 47p.