domingo, 20 de novembro de 2011

Gentil do Orocongo - Dois anos que partiu...

Gentil com seu orocongo

Gentil Camilo Nascimento Filho, o Gentil do Orocongo, nasceu em Siderópolis em 1945, foi para Florianópolis ainda na infância morar na comunidade de Mont Serrat (conhecido como morro da bica d’água). Dedicou-se à pesca e apaixonou-se pelo som que vinha da casa vizinha, onde morava Raimundo, filho de um cabo-verdiano (do arquipélago africano de língua portuguesa). Era o orocongo. Gentil, que nunca estudou música aprendeu a tocar de ouvido e a fazer o próprio instrumento. Fabricou um orocongo a partir do repenique a pedido da Escola de Samba Copa Lord. Ele trabalhava como vigia numa escola básica estadual, na sua comunidade.


Quando não estava trabalhando na escola, tocava seu instrumento de origem africana, conforme o músico Marcelo Muniz, diretor de Música da Fundação Catarinense de Cultura, o orocongo se propagou pela África junto com a religião islâmica, mas não deu origem a nenhum instrumento moderno por ser muito sensível: rico em microtons sem sons intermediários. O som do orocongo assemelha-se ao choro humano. Na forma, parece um violino rústico. Com apenas uma corda, tocado por um arco e apoiado na altura do diafragma, o orocongo é confeccionado com a casca de coco ou com o fruto do porongo (também conhecido regionalmente por catuto). O braço é de madeira. Originalmente, a corda do arco era feita de crina de cavalo, e a do instrumento, de tripa. Cada orocongo é único, pois tem uma afinação distinta devido à forma de fabricação.

O repertório de Gentil do Orocongo era baseado na tradição oral das músicas de roda, do Terno de Reis, o Cambucí, Décimas, Xote, Baião e músicas da cultura açoriana. Gentil disse uma vez em um evento do SESC: "É uma satisfação a gente persistir por 40 anos num instrumento meio esquecido e de repente ser reconhecido". Na década de 80, Gentil tocou seu orocongo para a gravação de um CD-ROM "Vozes do Brasil", da editora Ática, e o som plangente do instrumento abre a faixa-título do disco "Vou Botar Meu Boi na Rua", do grupo Engenho.

O instrumentista era o único brasileiro que tocava o orocongo, o que tem lhe garantiu convites para se apresentar por todo o país em projetos diversos. Em 2003, O músico foi a atração de mais uma temporada do Circuito Catarinense de Música e em 2006, na terceira etapa do projeto Sonora Brasil do Sesc em Pernambuco, o músico Gentil do Orocongo e seu Conjunto, participaram do evento como atração musical e gravaram um cd na cidade. No mesmo ano, o público catarinense teve a oportunidade de ver Gentil do Orocongo, mais uma vez, tocando na programação inaugural de um Espaço Cultural, em um tributo a Cruz e Sousa. No ano de 2007, O cineasta Lur Gomez cruzou com aquela figura tão particular, tirando sons daquela única corda. Viu aquele homenzinho tocando na Felipe Schmidt e decidiu fazer um documentário sobre a fabricação do orocongo.

No dia 19 de novembro de 2009, morre aos 64 anos, devido complicações por causa da Diabete. Gentil passou um período internado, mas faleceu em casa. Amigos e conhecidos se despediram dele no Dia da Consciência Negra. O Brasil perdeu uma figura impar de SC, que ficava com seu exótico instrumento, no Mercado Público, que contavam a história da sua vida e da música, da cultura afro-brasileira e catarinense.

FONTE:
http://www.clicrbs.com.br/blog
http://www.sesc-pe.com.br/
http://www1.an.com.br/
http://www.floripacultura.com/
http://www.flickr.com/photos/marcelandrioli/page2/

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